Norte Shopping Magazine, set/07
"A Zona Norte é uma sensação"
É assim que Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel, uma das maiores imobiliárias do Rio, define o momento que vive o mercado imobiliário da região, onde comercializa dois empreendimentos residenciais, o Norte Village e o Arena Park. E há até quem diga que a Dom Hélder Câmara está se transformando na Ataulfo de Paiva da Zona Norte. - Temos dois empreendimentos à venda na região, cada um com cerca de mil unidades e ambos já estão com mais de 50% delas vendidas - destaca Vasconcelos. Para José Conde Caldas, vice-presidente da Associação de Dirigentes do Mercado Imobiliário do Estado do Rio (Ademi-RJ), a volta do financiamento pleno é responsável pela revolução pela qual passa o mercado atualmente. Ele mesmo, tradicional construtor da Zona Sul, com a sua empresa a Concal, tem migrado seus investimentos para a Zona Norte. Mais especificamente, para São Cristóvão.
- O financiamento possibilitou que os empresários investissem em projetos bons, com grande volume de unidades, o que viabilizou a que chegássemos a preços mais acessíveis às classes média e média baixa - diz Conde Caldas. E a queda dos juros e o alongamento de prazos de financiamento, que já passam dos 20 anos, fazem Joaquim Pedro Bertoletti, diretor da Latini Bertoletti - parceria de RJZ/Cyrela e Brascan, no Norte Village -, a falar da possibilidade, num futuro próximo, de prestações de R$ 150,00 por mês, para a compra da casa própria:
- Estamos chegando a patamares de financiamento de países de primeiro mundo, com 30 anos para pagar.
E onde cresce o número de moradias, aumenta a necessidade de comércio e serviço, avalia Bertoletti, que junto com RJZ/Cyrela e C D C, está com um projeto em aprovação de uma torre de 360 salas comerciais. Um empreendimento que pode vir a fazer parte de uma nova expansão do NorteShopping.
- A princípio é um empreendimento completamente independente. Mas existe a vontade de anexá-lo, porém ainda está sendo avaliado pela prefeitura - diz Bertoletti, destacando que a estabilidade económica permitiu a transformação da Zona Norte. Isso sem falar nos números do NorteShopping que são um sucesso e mostram que vale à pena investir na região. Também está nos nossos planos, lançar entre duas e três mil unidades na região, no prazo de um a dois anos.
Para Marcos Heraldo, diretor da RJZ/ Cyrela, o NorteShopping "é a praia da Zona Norte": - A idéia é fazer uma passarela ligando o Norte Village ao shopping. Afinal, o
NorteShopping começou o processo de revitalização dessa região e esse movimento só se expande.
Heraldo destaca que as novas condições de financiamento, fizeram com que a RJZ/Cyrela criasse uma nova marca para atuar nesse mercado: a Living.
- Esse segmento ainda vai crescer muito. Há uma demanda reprimida há anos. Prova disso, é a velocidade de venda das unidades do Norte Village, que seria lançado em duas fases, cada uma com três prédios, mas o lançamento teve que ser antecipado, já que a primeira foi vendida em uma semana.
E novos projetos estão sendo avaliados, avisa o diretor da RJZ/Cyrela, que além de prospectar clientes na Zona Norte, já tem lançamentos previstos para Nova Iguaçu, Vila Valqueire e os bairros do Barreto e Maria Paula, em Niterói.
- A Zona Norte é a cara do Rio. Toda essa história do carioca e a nossa fama nasceram aqui. E um estilo de vida. Preservar essa verdadeira essência do carioca é essencial. Ainda mais quando podemos oferecer um upgrade de moradia - analisa Heraldo, que se diz um legítimo representante da Zona Norte, já que a família é da região.
A construtora paulistana Klabin Segall que entrou no mercado imobiliário carioca pela Lapa - região à época desacreditada pelo setor - também aposta suas fichas na Zona Norte, com o lançamento do Arena Park, com 989 unidades, numa área de 34 mil metros quadrados.
- Para nós era uma oportunidade similar a da Lapa. Tratava-se de uma área à margem da Linha Amarela, degradada. A Dom Hélder hoje o eixo de ligação do Grande Méier. E está sofrendo uma transformação muito positiva também pelas obras do Pan, que modificaram o entorno do Engenhão: Hoje quem gosta de viver na Zona Norte pode se manter na região, em condomínios que oferecem lazer e qualidade de vida - avalia Flávio Ramos, diretor da Klabin Segall.
Sem a polarização de investimentos entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca que havia do passado, Ramos já anuncia novidades para bairros como Tijuca, Campo Grande e Nova Iguaçu. E a Baixada Fluminense também está sendo redescoberta pêlos construtores.
A queda dos juros também fez outra empresa paulistana, a Rossi Residencial, voltar à Zona Norte. A empresa que aterrissou no Rio, na Vila da Penha, trazendo seu "know how" com o Plano 100, cm São Paulo, em 2001, havia interrompido o investimento nesse segmento devido a alta de juros em 2003. A volta se deu com o Residencial Gaia, no Méier, lançado em maio de 2005 e entregue em julho de 2007, conta Marco Adnet, diretor da Rossi:
- Quando lançamos na Vila da Penha, o último empreendimento residencial tinha sido lançado nos anos 70. Com os juros altos, de 25% ao ano, em 2003, ficou inviável construir para a classe média e média baixa e tivemos que mudar o foco. Hoje o momento é novamente favorável. Trabalhamos com três padrões de empreendimentos para serem implantados com alta qualidade urbanística e preços de cerca de RS 2.100 o metro quadrado, o que dá um valor médio por unidade de RS 100 mil. Mas podemos chegar a faixa dos RS 70 mil, dependo do valor da cota de terreno.
Adnet destaca que a idéia da empresa é trabalhar com o mesmo padrão implantado na Barra da Tijuca, com forte preocupação com lazer e paisagismo e adianta que participam dos seus projetos nomes consagrados do paisagismo como Benedito Abud e Sérgio Santana.
OS NÚMEROS NÃO MENTEM:
A Zona Oeste continua sendo a região de maior concentração de lançamentos imobiliários do Rio de Janeiro. Barra da Tijuca, Recreio e Jacarepaguá, juntos concentraram 71 % dos lançamentos feitos no primeiro semestre deste ano. E fato. Mas pesquisas sobre unidades lançadas na cidade, realizadas pela Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Rio (Ademi-RJ), mostram que está havendo um movimento de diversificação. E o que observa a chefe de Pesquisa da Ademi/RJ, Gabriella Szklo:
- Em 2004 e 2005, houve uma migração de lançamentos para bairros da Zona Sul que andavam meio de escanteio, Catete e Botafogo. Nos anos seguintes, a Zona Norte ganhou força. No primeiro semestre de 2006, o quarto lugar foi do Méier. Nos primeiros seis meses deste ano, Del Castilho ficou em terceiro lugar. Segundo a pesquisa, em 2006, o lançamento do Arena Park elevou a participação do Méier para 12% do volume de unidades lançadas. No primeiro semestre de 2007, o NorteVillage, com as 614 unidades lançadas na primeira fase, colocou o bairro de Del Castilho em terceiro lugar correspondendo a 16% do total de lançamentos, evidenciando que há espaço para a expansão da cidade em outra direção diferente da óbvia Zona Oeste.
O ranking de bairros, levando-se em consideração as unidades lançadas, do primeiro semestre de 2007 apresenta uma configuração diferente dos anos anteriores, com Jacarepaguá em primeiro (em lugar da Barra da Tijuca) e o Recreio dos Bandeirantes ocupando o quarto lugar e não o terceiro que coube a Dei Castilho. Sinais de novos tempos. A volta de investimento em moradias na Zona Norte já mostra seus primeiros reflexos na .paisagem urbana da cidade. No bairro de São Cristóvão, que começou a receber investimentos de empresas como Concal, Gafisa e Cyrela, no ano passado, as primeiras mudanças começam a acontecer. Foram investidos RS 300 mil na recuperação do Pagode Chinês, da Quinta da Boa Vista, pela Concal e Cyrela. E em comemoração aos 200 anos de chegada da Família Real ao Brasil, em 2008, a idéia é unir esforços da iniciativa pública e privada para implantar no Museu da Quinta um show de luzes e água a exemplo que existe no Museu Imperial de Petrópolis. - Estamos estudando agora novas parcerias com a prefeitura para construção de praças e arborização na região da Avenida 24 de Maio, no Engenho Novo. Uma área em que estamos de olho, já que dali até o Méier há várias opções de terrenos capazes de abrigar empreendimentos com área de lazer bem estruturada - adianta José Conde Caldas, vice-presidente da Ademi-RJ.
Condomínios com áreas generosas, parque aquático (com piscinas cobertas e aquecidas, salas de fitness, bosques, praças, boliches, garagens, quadras poliesportivas...). ; E não estamos falando da Barra da Tijuca e Recreio, mas do novo modelo de moradia da Zona Norte.
- Testado e aprovado na Barra, os condomínios com lazer e segurança agora também são o padrão da Zona Norte - diz Rubem Vasconcelos, da Patrimóvel.
Marcos Heraldo, diretor da RJZ/Cyrela, diz que segurança também é questão primordial.
- Todo esse desenvolvimento vai levar a uma mudança na cara da Zona Norte.
Os terrenos da região, muitos deles onde funcionavam fábricas ou galpões de armazenamento, com alguns milhares de metros quadrados, permitem além do desenvolvimento de rebuscados projetos paisagísticos, a implantação de centenas de unidades. -Trabalhamos ainda em novas técnicas construtivas que permitirão baratear os imóveis . Entre eles o uso de alvenaria estrutural e a redução do uso de azulejos. O que percebemos, até por causa da segurança, que hoje o mais importante é a área de lazer - antecipa José Conde Caldas, vice-presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Rio.