Vale 20 000 reais o m2?
Um ponto comercial em Ipanema é coisa cara e rara. Mas muitos pagam
Carol Zappa
André Nazareth/Strana ![]() |
Dilmar Cavalher/Strana ![]() |
| Vuitton: três anos em busca do lugar ideal | H. Stern: na área desde os anos 80 |
A história se repete em cada negócio aberto nas redondezas: são anos de busca até encontrar um ponto. No quadrilátero mágico de Ipanema, delimitado pelas ruas Visconde de Pirajá, Barão da Torre, Garcia D'Ávila e Aníbal de Mendonça, cada metro quadrado é disputado como uma peça rara num leilão: único e valioso. A abertura, nos últimos anos, de lojas e pontos gastronômicos sofisticados valorizou – e encareceu – a região. "Há vinte anos, o comércio de rua em Ipanema foi impulsionado pela Company. Depois houve um período de decadência. Só a H. Stern se manteve por ali. Com a chegada da Cartier, nos anos 90, houve a explosão", afirma Bruno Pereira, diretor-superintendente da AMA Garcia (Associação de Amigos da Garcia D'Ávila). A partir daí, a rua foi tomada por lojas de grifes como Louis Vuitton, Osklen, Richard's, Montblanc, Forum. Hoje, para comprar um ponto comercial por ali é preciso pagar entre 15.000 e 20.000 reais por metro quadrado.
"É uma das áreas de maior demanda comercial da cidade, e a oferta é quase nula. É preciso garimpar todo dia", diz Paulo Ximenes, especialista no mercado de alto luxo. De garimpo, o gerente de marketing da Redley, Winnie Covin, entende. Passou quatro anos buscando o ponto para a nova loja da marca, que abre em junho na esquina das ruas Maria Quitéria e Barão da Torre. "Nesse período, os valores dobraram. Aqui é bem mais caro do que em um shopping, mas compensa pelo valor que agrega à marca e pelo fluxo de turistas", afirma. Desde que abriu o bistrô Alessandro & Frederico na esquina da Garcia D'Ávila com a Barão da Torre, há cinco anos, o italiano Fabrizzio Giuliadore viu o valor de seu aluguel quadruplicar. "Na época, a rua ainda não era tão badalada. Hoje é muito cobiçada", conta. Para encontrar o ponto onde instalou em 2004 sua pizzaria, na esquina da mesma Garcia com a Redentor, ele teve mais trabalho – e despesa. Passou um ano procurando e, quando encontrou, pagou 40% a mais do que havia pago no primeiro ponto. A Vuitton levou três anos até encontrar o ponto da Garcia D'Ávila onde desde 2003 funciona a loja de quatro andares. "As pessoas pediam fortunas por espaços mínimos", conta Monica Lopes, subgerente da loja.
Rogerio Fasano foi outro que gastou sola de sapato até achar o ponto onde instalou o Gero, em 2002. Já escaldado, não titubeou quando apareceu outro ponto à venda na mesma rua, a Aníbal de Mendonça. Comprou. E o deixou fechado por dois anos e meio, até abrir a Forneria. "É tão difícil encontrar espaço aqui que essa foi a melhor decisão", diz. Quem encontra seu cantinho não quer sair. "O faturamento é muito bom, e quem comprou fez um belo investimento", afirma o corretor imobiliário Roland Jardim. Um exemplo é a área de 100 metros quadrados onde funciona o restaurante Via Sete, na Garcia D'Ávila. Há oito anos foi adquirida por 200.000 dólares. "Hoje vale isso só de luvas", diz Jardim. Na esquina das ruas Redentor e Aníbal de Mendonça, uma casa de dois andares com alvará comercial pode ser alugada por 29.000 reais. Mas as luvas são estimadas em 800.000 reais. Para venda, o preço é de 2,9 milhões de reais.
Do outro lado da Visconde de Pirajá, em direção à praia, os preços caem em até 30%, mas a abertura de lojas como Lenny & Cia., Ellus e Puma na quadra da Garcia D'Ávila que vai até a Prudente de Moraes aponta para uma provável valorização da área. "É a hora da segunda retomada", diz Bruno Pereira.
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Quanto custa?
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rua Garcia D'Ávila, Bairro: Ipanema Cidade: Rio de Janeiro - RJ • 3 Dormitórios Consulte-nos! |
avenida Vieira Souto, Bairro: Ipanema Cidade: Rio de Janeiro - RJ • 2 Dormitórios A partir de R$ 579.000,00 |