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+ prefeito Cesar Maia, é Notícia - Imóveis Rio de Janeiro | Barra da Tijuca

GUIA IMOBILIÁRIO

Menos Barra, mais São Cristóvão

O prefeito diz que não muda sua política de urbanismo e que as construtoras devem buscar novas opções

Fábio Brisolla e Cristina Grillo

 

Bruno Veiga/Strana
Cesar Maia: "A Tijuca é um problema para a gente"

Os insatisfeitos terão de se conformar. Em entrevista a Veja Rio, o prefeito Cesar Maia afirma que, enquanto ocupar o cargo, não há possibilidade de revisão da relação dos imóveis incluídos nas Apacs. E diz que elas têm o efeito de induzir o mercado imobiliário a investir em outras áreas, revitalizando-as. "Se não podem mais construir no Leblon, vão investir em outros bairros, buscando alternativas que não sejam as tradicionais Barra da Tijuca e Zona Sul", diz.


Como o senhor avalia a situação urbanística e habitacional da cidade, com a desvalorização de alguns bairros por causa da proximidade das favelas?

As favelas surgem porque antes houve uma expansão industrial ou habitacional de qualidade. Elas surgem para resolver um problema da classe média. Enquanto a favela mantém a distância física, a classe média acha ótimo. Na hora em que ela cresce e cola, aí o contato físico cria um problema. Surge o preconceito, a discriminação.  


Não há solução?

Há. Mas veja o caso do Alto da Boa Vista. Há muitos anos encaminhei para a Câmara dos Vereadores um projeto para o parcelamento do solo da área (autorização para que grandes terrenos pudessem ser divididos), mas houve resistência. Existem mansões em áreas enormes, mas só mora lá quem pode montar uma estrutura de segurança. Se houvesse o parcelamento, poderiam ser feitos condomínios de casas ou prédios de até três andares. A localização é extraordinária, com saída para Zona Sul, Tijuca, São Conrado, Barra, mas acabou virando área de casas de festas. E tivemos de legitimar, porque senão haveria a invasão dos terrenos. O parcelamento segura. Um condomínio de casas evita que a área seja invadida, degradada. Encaminhei a proposta em 1994 e até hoje não foi votada.


Mas o senhor não insistiu na proposta? Não tentou negociar com a Câmara dos Vereadores?

Insisti sempre, mas há resistência. Eu não legislo, eu encaminho propostas de lei.  


Nesse quadro, qual é o papel das Apacs (Áreas de Proteção do Ambiente Cultural)?

A lógica do mercado imobiliário é a seguinte: eles entram num bairro, constroem, usufruem de taxa de retorno muito alta e, quando essa taxa cai, passam para outro bairro. Foi assim na Glória, Catete, Flamengo, Botafogo, Copacabana, Ipanema e Leblon. Entramos com as Apacs para que áreas como Ipanema e Leblon não virem bairros de passagem, como aconteceu em Copacabana. O Leblon talvez tenha hoje o metro quadrado mais caro do Brasil. A melhor área da Barra, em comparação com o Leblon, é barata. O que queremos é preservar o bairro.  


A valorização aconteceu por causa da Apac ou a Apac segura a valorização?

Se a Apac não entrasse ali, o Leblon continuaria crescendo verticalmente. Teria, por um momento, taxas de lucro muito grandes para os construtores. Depois, haveria o declínio.  


O PEU (Projeto de Estruturação Urbana) do Leblon não é suficiente para garantir o crescimento ordenado do bairro?

É preciso deixar claro que Apac não é tombamento, é defesa da ambiência urbana. Vamos usar a Avenida Nossa Senhora de Copacabana como paradigma. Ela não tem insolação nem aeração. Desvalorizou-se porque a qualidade ambiental foi derrubada com a construção de paredões. O imóvel apacado não está tombado. O proprietário pode derrubá-lo e construir outro. Tem de pedir licença, mas pode. Só não pode é aumentar a área, nem para os lados nem para cima. As pessoas reclamam, dizem que suas casas não têm valor histórico, cultural, mas o que a Apac pretende é garantir a insolação e a aeração. Quando criamos uma Apac numa área de grande interesse imobiliário, tomamos decisões que deixam algumas pessoas indignadas, porque elas vêem que uma casa igualzinha, ao lado, virou um prédio, e a delas não pode virar. E, se pudesse, elas ganhariam 10 milhões. O que elas poderiam fazer seria tentar mudar a característica da zona. Numa zona estritamente residencial, uma casa não pode ser transformada em escritório, e o proprietário fica duplamente afetado. Mas ele poderia negociar com os moradores, argumentar que está sendo sacrificado para dar qualidade de vida urbana aos outros e que merece, em troca, poder dar atividade comercial a seu imóvel. É uma discussão difícil.  


O senhor cogita rever, de alguma forma, as Apacs?

Não. Enquanto eu estiver aqui, não se revê Apac nenhuma. Como eu posso desapacar um imóvel e não desapacar outro?


O texto das Apacs fala em salvaguardar o patrimônio cultural. Isso não cria confusão, já que o senhor afirma que é uma questão apenas de preservação ambiental?

Se eu tenho de escolher alguns imóveis numa rua para garantir aeração e insolação e se um deles tem valor patrimonial passível de futuro tombamento, eu posso selecioná-lo pelo critério histórico/arquitetônico, mas não é sempre assim. O critério é o posicionamento do imóvel. Antes de tudo vem o estudo do impacto que a construção de um prédio pode causar ali. Uma Apac pode incomodar 100 pessoas, mas valoriza o patrimônio de 5 000.  


Como se define quantos prédios devem ser apacados?

O estudo é baseado no efeito Copacabana. O que eu posso fazer para aquela rua não virar uma nova Nossa Senhora de Copacabana.  

 

"Uma Apac pode incomodar 100 pessoas, mas valoriza o patrimônio de 5 000"


Apesar dos benefícios citados, o senhor não acha que em determinados bairros, como o Catete, a Apac pode frear a revitalização?

Não, porque há áreas liberadas que permitem a revitalização. O que a Apac pode fazer é induzir o mercado imobiliário a investir em outras áreas. Se uma empresa pode ter um ganho cavalar no Leblon, mas não pode mais construir lá, vai investir em outros bairros. Há um impacto que faz com que busque alternativas que não sejam as tradicionais Barra e Zona Sul.


Do outro lado estão bairros como São Conrado, onde o senhor mora, que passa por um processo de desvalorização, com muitos moradores saindo. Qual o tipo de atuação que a prefeitura pode ter ali para recuperar a área?

Durante muitos anos a Rocinha esteve estabilizada e não havia problema nenhum, mas houve uma desestabilização e surgiu essa percepção de violência na área. A prefeitura deu uma arrumada no mercado popular da Rocinha. Havia reclamações contra o retorno que passava muito perto da entrada da favela. As pessoas têm a percepção de que vão passar ali e vai acontecer uma tragédia, o que é falso. Mas há essa percepção e não adianta a gente querer trabalhar apenas na realidade. Nós mudamos um pouco ali e não é preciso mais passar perto. Depois, recuperamos o hotel abandonado de São Conrado e o transformamos num centro de cidadania. E estamos fazendo obras na Rua Aquarela do Brasil, que passa entre o Hotel Nacional e o Intercontinental. Ela vai ter uma iluminação feérica.  


O empreendimento Cores da Lapa foi um grande sucesso e houve empenho da prefeitura para que ele se concretizasse. Quais são hoje as áreas da cidade que, assim como a Lapa, interessam à prefeitura e aos empresários do setor imobiliário?

Eu acho que vamos conseguir isso em Jacarepaguá, São Cristóvão, Centro, Cidade Nova, área portuária, Madureira, Bangu perto do shopping e Santa Cruz.


E qual área não vem reagindo e se revitalizando apesar de iniciativas da prefeitura?

A Tijuca. Fizemos duas intervenções na Tijuca, esperando a contaminação para áreas vizinhas, mas elas não vieram. Uma é o Centro Coreográfico, outra é o Centro de Referência da Música Carioca. A Tijuca é um problema para a gente.

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