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+ Escritórios novos, é Notícia - Imóveis Rio de Janeiro | Barra da Tijuca

Escritórios novos têm mercado aquecido

Valor, Yan Boechat, 10/set

Nem a Cyrela nem a Tecnisa esperavam obter tamanho sucesso no lançamento de seus últimos empreendimentos voltados para o segmento comercial, no fim de agosto. Os dois projetos, voltados para o mercado corporativo paulistano foram vendidos, na planta, poucos dias após seu lançamento. No caso da Tecnisa, que lançou uma torre comercial na zona Oeste de São Paulo com cerca de 320 escritórios, e com preço total de mais de R$ 70 milhões, todos os imóveis foram comercializados em menos de 48 horas. Já a Cyrela, que lançou um complexo corporativo também na zona Oeste de São Paulo, todas as mais de 700 unidades, avaliadas em R$ 205 milhões, foram comercializadas em quatro dias.

A velocidade impressionante nas vendas mostra o ritmo de expansão do mercado de imóveis corporativos em São Paulo. A entrada de mais de 10 fundos de investimento internacional, que trouxeram consigo mais de R$ 3 bilhões para investir no setor é uma das causas dessa febre por escritórios. Mas não a única. Lentamente os investidores individuais, que lucraram por anos seguidos com as altas taxas de juros, começam a retornar ao mercado imobiliário, onde podem conseguir retornos próximos ao da renda fixa e ter um ativo que, ao menos nesse momento, tem grande potencial de valorização e alta liquidez.

Pelas estimativas da Tecnisa, que comercializou em 48 horas todas as unidades de seu New Worker Tower, um edifício de escritórios na região da Barra Funda, em São Paulo, mais de 60% dos compradores são investidores individuais, pessoas que sacaram o dinheiro da renda fixa. "Ainda não temos um levantamento preciso porque foi tudo muito rápido, mas nossa impressão é de que essa pessoa física descontente com o rendimento dos juros está diversificando seu investimento", diz Douglas Duarte, diretor comercial da Tecnisa.

O empreendimento foi lançado na noite do dia 1º de setembro, quinta-feira, e já no sábado à tarde todas as unidades haviam sido vendidas. "Foi uma maratona, muitos funcionários, principalmente do jurídico, viraram a madrugada fechando os contratos", conta Duarte. Esse foi o primeiro empreendimento comercial da Tecnisa neste ano e a companhia, nesta semana, já está em busca de novos terrenos que se adequem ao perfil. "A demanda está extremamente aquecida, há muito mercado para esse segmento", diz ele, animado.

O New Worker Tower não é exatamente um edifício de alto padrão ou "triple A", como gosta de chamar o mercado. Tem mais as características de um conjunto de escritórios, tão populares nas décadas de 70 e 80 e que deixaram de ser lançados na última década. As salas vendidas pela Tecnisa têm entre 35 e 75 metros quadrados, nada parecido com os escritórios de até mil metros quadrados nos grandes edifícios corporativos. "O que Tecnisa e a Cyrela fizeram foi agregar valor a esse segmento, que estava muito carente, e conseguiram bons resultados", diz Adriano Sartori, diretor de locação da consultoria CB Richard Ellis.

O projeto da Cyrela, o Villa Lobos Office Park, segue o mesmo conceito. Escritórios e salas voltados para profissionais liberais e pequenas empresas. "Fizemos um projeto inovador, agregando conforto, bom gosto, conveniência e preços acessíveis", enfatiza Luiz Largman, diretor de relações com investidores da Cyrela. As cerca de 700 unidades do empreendimento, que teve o metro quadrado comercializado a cerca de R$ 4 mil, foram vendidas em quatro dias. "Tivemos compradores de todos os tipos, desde a pessoa física até os fundos de investimento", diz Largman.

Como mostram as experiências da Tecnisa e da Cyrela, o ano de 2007 tem sido especial para o segmento corporativo de São Paulo. Após dois anos de poucos edifícios entregues, o estoque de escritórios volta a ganhar fôlego na capital paulista.

Um levantamento da consultoria anglo-americana Jones Lang LaSalle mostra que neste ano cerca de 115 mil metros quadrados de novos escritórios estarão disponíveis para locação ou venda na cidade de São Paulo. No ano passado, esse número não chegava a 50 mil metros quadrados. "Depois de vários anos de crise, o setor está voltando com força, os recordes da década serão quebrados em 2008", diz Lilian Feng, responsável pelo departamento de estudos e pesquisas da Jones Lang.

Os números da consultoria tratam de um segmento diferente dos lançamentos de Cyrela e Tecnisa, mas dão uma idéia de como está aquecido o setor. Este ano, de acordo com a pesquisa coordenada por Lilian, São Paulo deve registrar o segundo menor índice de vacância de toda a década, 8,9%. Apenas em 2000, no auge da febre da internet, havia tão poucos escritórios vagos na cidade. Em 2006 esse índice estava em 14%. "Teremos muitos lançamentos e novos escritórios sendo entregues nos próximos anos", diz Sartori, da Richard Ellis. "A grande questão agora é saber se teremos sobre-oferta, como houve com os flats, ou se o mercado chegará ao equilíbrio".



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